O MEU ESPÍRITO DE POBRE – Maurício Rosa- Crônica

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Uma simples conversa após o café da manhã.

– Mãe, quando eu quero dizer que algo é muito pequeno como eu me expresso?

– Vai no superlativo minha filha.

– O quê? Esse lugar fica aqui no RJ? Nossa, preciso conhecer.

– Não, querida, é uma forma gramatical que a gente usa para expressar a mais alta ou baixa característica de algo. Nesse caso, pode usar “pequeníssimo”. Por que a pergunta?

– Estou gravando alguns vídeos para o tik tok.

– Sei.

– E existe algo menor do que o orifício aquele?

– Qual? Temos mais de um, você sabe, né?

– Sim, mãe. Estou falando do (texto censurado)

– Se você vai usar isso para se referir a algo ou alguém, sabe que isso mostra um desvio de caráter muito grande. O ânus é por onde nosso corpo se livra das coisas mais podres do nosso corpo. E tem muita gente que não limpa direito, logo fede. Dizer que algo é o “ânus do mundo” é chamar o corpo de mundo. Desconsiderar tudo que o compõe, olhos, boca, cérebro, dentes, simplesmente tudo.

Quando falamos de uma cidade, sem dúvida alguma, o primeiro impacto ofensivo é sentido pelas pessoas que movimentam o lugar, pagam seus impostos e, em grande maioria, respeitam leis e fazem o máximo possível para viver em harmonia. Quem sai de uma cidade, anos após viver nela, não deve falar mal. Bebeu, comeu, estudou, foi tratado no hospital, algum posto de saúde, pegou aquele remedinho grátis e já foi até à Câmara de Vereadores “tomar café”. Podemos definir alguém desse tipo como inescrupulosa. E olha que estou sendo muito educado.

– Sei lá, mãe. Acho que ficar morando num lugar que não se desenvolve é uma pobreza de espírito tão grande.

– Quem fala sobre pobreza de espírito com tanta veemência, na realidade nunca deixou de ter um espírito pobre.

“Não adianta mudar de lugar se você continua a mesma pessoa”. Hemingway.

Pobreza de espírito é falta de empatia, moralidade, respeito e ética com relação ao que seus pais ensinaram. Existem sentimentos, palavras e frases que definem mais quem diz ou escreve do que quem escuta ou lê. Inveja, fofoca e pobreza de espírito.

Eu sinto pena, sinceramente.

– Quanto discursso, mãe. Pode parar, já desisti do que ia fazer.

– Que bom, pegue um livro e foque sua atenção em coisas que acrescentem no seu desenvolvimento pessoal, quanto melhor você fica como pessoa, mais impacta a sociedade e, consequentemente, influencia pessoas.

Tem que ser uma pessoa muito estúpida para se dedicar a fazer as pessoas odiarem você.

Não importando o tamanho, toda cidade tem seus prós e contras.TODAS. E todo lugar “novo” é melhor que o anterior, até nos adaptarmos. Já a mentalidade é algo único. E é nessa hora que a gente separa quem deve ou não carregar o legado de cidadão de determinado local.

Tem gente que cospe no prato que come e muitas vezes nem dono do prato é.

Em alguns casos, é melhor nem dizer de onde saiu, porque quem pode ficar com vergonha somos nós.

Que a vaidade, com o tempo, de lugar à maturidade.

Obrigado pela leitura.