O prefeito que se passou por morador de rua – Sergio da Silva Almeida- Crônica

0
824
O prefeito de Criciúma (SC), Vagner Espíndola, o Vaguinho, deu um exemplo raro, sobretudo entre políticos, de empatia prática ao sair do conforto do gabinete e experimentar, na pele, a dura realidade das ruas.
No último dia 10, ele viveu por 20 horas como morador de rua.
Para não ser identificado, Vaguinho usou barba e peruca postiças, roupas velhas e desgastadas e maquiagem. A transformação foi tão eficaz que até sua esposa e filhos não o reconheceram quando ele passou por eles na rua, evidenciando o que muitas pessoas em situação de vulnerabilidade enfrentam: a invisibilidade.
Ele conta que chegou a receber alguns trocados como esmola. Mas o que mais o comoveu foram os gestos espontâneos de generosidade, como o de um garotinho que lhe trouxe uma xícara de café.
Por volta das 0h30 da madrugada, quando estava deitado sob a marquise de uma igreja, foi abordado por um agente da assistência social, que lhe ofereceu a possibilidade de ir para a casa de passagem, mas acabou o reconhecendo. Esse foi o ponto que encerrou sua jornada — antes das 24 horas previstas —, mas não impediu que a vivência revelasse o valor de sentir na pele a realidade alheia.
E o impacto dessa atitude ultrapassa os limites da política: é um chamado também para o mundo corporativo.
Assim como o prefeito desceu às calçadas da cidade, é fundamental que empresários, gestores e executivos, de tempos em tempos, também desçam ao chão de fábrica, ao balcão de atendimento, ao campo de vendas. É preciso sentir o peso da rotina, a pressão das metas, o cansaço físico e emocional de quem está na linha de frente.
Essa atitude de Vagner Espíndola nos lembra que a verdadeira liderança vai além da visão estratégica — requer empatia para se colocar no lugar do outro e humildade para agir com humanidade.
Que este exemplo inspire líderes de todos os setores a ouvir, sentir e transformar realidades, pois é assim que construímos um futuro mais justo e solidário para todos.