Se ainda não viu, você precisa “Verissimo” Sérgio da Silva Almeida- Crônica

O sábado amanheceu triste, pois perdemos Luis Fernando Verissimo, o porto-alegrense que se tornou um dos maiores escritores brasileiros contemporâneos, conhecido por unir humor, crítica social e profundidade emocional. Eu tinha 15 anos quando li “O analista de Bagé” e fui conquistado de cara pelo estilo único do personagem, um psicanalista que mistura o rigor freudiano da psicanálise com o jeito direto do gaúcho, que se dizia “mais ortodoxo que Pastilhas Valda ou a pomada Minancora”, ao utilizar técnicas polêmicas como o “joelhaço” e substituir o divã pelo pelego.
Algumas crônicas mostram isso: quando alguém diz ao doutor que não consegue se concentrar, ele responde: “Isso é fácil de resolver. É só parar de pensar em tudo ao mesmo tempo”. Em outra situação, o paciente pergunta: “Doutor, o que o senhor acha da vida?”. O analista responde: “Bah, guri… a vida é que nem andar a cavalo: se tu não firmar as rédeas, ela te derruba”.
Outro paciente diz: “Doutor, minha mulher diz que eu sou muito indeciso”. O analista retruca: “E tu concorda?”. O paciente responde: “Não sei…”, e o analista conclui: “Então volta amanhã… ou depois… ou nunca mais, tchê!”.
Há ainda a clássica: o paciente afirma: “Doutor, acho que ninguém gosta de mim”, e o analista devolve: “Mas tu quer unanimidade, vivente? Nem o chimarrão é unânime, sempre tem um que diz que tá lavado!”.
Além do humor, Verissimo nos brindou com reflexões sobre a vida. “A única pessoa realmente livre é a que não tem medo do ridículo” nos lembra que ser livre é ousar ser você mesmo, sem se prender às críticas.
“Vivemos cercados pelas nossas alternativas, pelo que podíamos ter sido” nos recorda que mesmo carregando o que poderia ter sido, devemos seguir adiante. “A vida é curta, mas as consequências são longas” nos alerta para a responsabilidade de nossas escolhas.
Mas a frase que mais me marca é: “O mundo não é ruim, só está mal frequentado”, sempre lembrando-me da importância de escolher com cuidado nossas companhias.
Entre risadas, reflexões e conselhos de bom senso, as obras de Verissimo nos ensinaram a viver com leveza, coragem e humor. E por isso deixo um trocadilho-literário: se você ainda não viu, você precisa “Verissimo!”.





