O Dia dos Inacreditáveis- Sérgio da Silva Almeida- Crônica

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Quarta-feira, nós, gremistas, celebramos os 20 anos da épica Batalha dos Aflitos, um jogo que entrou para a história do futebol. Costumo lembrar daquele 26 de novembro de 2005 como “O Dia dos Inacreditáveis!” Vou explicar: era a última rodada da Série B, e o Grêmio empatava com o Náutico, até que o árbitro marcou um pênalti no fim do jogo, colocando o Imortal Tricolor numa baita enrascada.

Naquele instante, o primeiro “inacreditável” aconteceu. Meu filho Sergi, com 10 anos, até então o único colorado da família Almeida, virou gremista. “Como assim?”, você deve estar perguntando. Peraí que vou contar: no apartamento de cima morava um colorado que fez o maior escarcéu quando o juiz marcou o pênalti para o alvirrubro. Sergi, ao escutar a euforia, os gritos e a agitação, ingênuo, perguntou se ele era torcedor do time pernambucano. Expliquei que não, mas que era do Internacional e comemorava a marcação da penalidade. Sergi me olhou com um misto de surpresa e decisão e disse: “Então vou ser gremista a partir de hoje. O certo é torcer pelo seu time, não contra o outro.” Errado ele não está, né?

Após vinte minutos de paralisação, o segundo “inacreditável” aconteceu: o goleiro Galatto pegou a cobrança de Ademar e, como se não bastasse, a partida reservava um terceiro momento “inacreditável”: Anderson, num contra-ataque, marcou um golaço logo em seguida. O locutor da rádio gritava: “Inacreditável! Inacreditável!”, enquanto eu corria para a sacada, eufórico, e o guri me acompanhou. Nos abraçamos, emocionados. O inacreditável aconteceu, e o Grêmio acabou se sagrando campeão, garantindo o acesso à Série A.

A partir daquele dia, meu filho se tornou gremista de coração, daqueles que não perde um jogo do Tricolor. Isso graças a um vizinho colorado! Foi ou não “O Dia dos Inacreditáveis?”