Da janela de um hospital- Fernanda Vasconcelos- Crônica

Da janela de um hospital.
As pessoas seguem suas vidas normalmente.
Todas com pressa, tentando chegar a algum lugar.
Todas apressadas para fazer alguma coisa.
Porque, simplesmente, a hora do almoço se torna curta demais quando você acorda às 6h e termina seu dia às 22h.
E quando nosso corpo pede uma pausa, quando as pilhas da mente começam a enfraquecer… você ouve ou finge que não vê?
Aprendi da forma mais dura que não dá para se sobrecarregar. Mas, quando eu pensava em largar uma ponta, soltar um pouco o peso, tudo me parecia fraqueza, covardia.
Logo eu, que nunca fui fraca — muito menos covarde.
A vida bate até nos fazer enxergar que, às vezes, deixar escapar não é desistir.
Soltar um pouco as cordas não é desistir.
Diminuir o peso, desacelerar… não é desistir.
É ser forte, corajosa e justa — principalmente com você mesma.
Talvez você esteja apenas se sobrecarregando, tentando dar conta de tudo, e às vezes até de problemas que não são seus.
Mas seu corpo pesa, e sua alma cansa. Nesse momento, é mais do que hora de pausar.
E lembre-se: pausar não é desistir.
É reordenar e recomeçar — cada vez mais forte.





