O Som da Esperança- Sérgio da Silva Almeida- Crônica

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No penúltimo dia do ano, estive no Hospital de Caridade e Beneficência (HCB), em Cachoeira do Sul, visitando um familiar de minha esposa, que enfrentava tratamento contra o câncer. Desde o diagnóstico, a doença passou a ser de toda a família. Durante as sessões de quimioterapia, Marta se revezava com as irmãs e o irmão e, ao voltar para casa, exaltava o atendimento humanizado das enfermeiras e dos demais profissionais do hospital. “São uns heróis sem capa”, costumava me dizer.
Naquela tarde, pude ver de perto o cuidado atento e dedicado de todos com cada pessoa que ali estava. Ao sair do quarto, encontrei a auxiliar de limpeza em frente à porta. Após cumprimentá-la, meus olhos se fixaram em um sino na parede, com a frase: “Cada badalada deste sino ecoa sua coragem, celebra sua vitória e anuncia um novo capítulo cheio de vida, esperança e recomeços”.
Notando meu encantamento, Magda comentou, antes que eu dissesse qualquer palavra: “O sino já tocou duas vezes hoje!”. Voltei meu olhar para aquela moça simpática, que seguia pelo corredor conduzindo o carrinho de higienização. Havia algo em sua voz que me alcançou de forma inesperada — um tom que dizia: “Aqui, cada vida importa”.
Magda, tal como todos que atuam naquele setor e testemunham diariamente histórias de quem volta para casa e de quem acaba retornando para a casa do Pai Celestial, comemorava de coração que mais duas vidas haviam superado aquela etapa e que a coragem e a esperança continuavam a pulsar em cada paciente que ali permanecia.
O chamado Sino da Vitória, que teve sua origem no MD Anderson Cancer Center, em Houston, no Texas (EUA), e hoje se faz presente em diversos hospitais pelo Brasil e pelo mundo, é um símbolo da conquista do paciente oncológico frente à doença. Cada badalada carrega muito mais que o eco de um metal: é o som da esperança que anuncia recomeços pelos corredores.