Ontem foram quatro, hoje mais quatro. Amanhã? (Crônica de Francisco Melgareco)

Tainara foi atropelada e arrastada por mais de um quilômetro em São Paulo, na véspera de Natal. Daniele foi morta a facadas diante da filha de onze anos. Alane e Layse foram baleadas. Catarina foi violentada e estrangulada. Maria Katiane foi agredida e encontrada morta após cair do décimo andar. Histórias diferentes, o mesmo crime.
No Brasil, em média, quatro mulheres são vítimas de feminicídio por dia.
Apesar do endurecimento das leis e do aumento das penas, os casos de feminicídio seguem crescendo de forma alarmante. Somente no Rio Grande do Sul, em 2026, já foram registrados 11 casos até a data deste texto, 30 de janeiro.
O feminicídio não acontece de forma repentina. Ele é, quase sempre, o desfecho de uma escalada de violência que começa com abusos psicológicos, ciúmes excessivos, controle, isolamento e ameaças.
A prevenção passa, necessariamente, pela educação desde a infância. Ensinar crianças a reconhecer emoções, resolver conflitos sem violência, respeitar limites e compreender a igualdade de gênero é fundamental para romper ciclos de agressão. Dar bons exemplos também é essencial. Muitos agressores cresceram convivendo ou presenciando a violência dentro de casa.
A divulgação de informações é uma das ferramentas mais eficazes no enfrentamento da violência contra a mulher. Muitas situações de abuso persistem porque as vítimas não reconhecem os sinais ou não sabem a quem recorrer. Tornar públicos os canais de denúncia, os serviços de acolhimento e as redes de apoio é essencial para romper o silêncio e interromper o ciclo da violência. Informar é salvar vidas.
Saber identificar comportamentos abusivos e conhecer os caminhos de ajuda, como o telefone 180 da Central de Atendimento à Mulher, o 190 em situações de emergência, as Delegacias Especializadas de Atendimento à Mulher, os serviços de saúde, o CRAS e o CREAS, pode representar a diferença entre continuar em risco ou encontrar proteção.
A denúncia também é um dever coletivo. Em situações de risco, familiares, vizinhos, amigos e colegas de trabalho devem agir e denunciar. Violência não é assunto privado. Quando há sinais de abuso, “meter a colher” é um ato de responsabilidade e pode evitar que mais uma vida seja perdida.





