Hospital Moinhos de Vento inicia projeto para mapear saúde mental de atingidos pelas enchentes no RS

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_Triagens começam por Cachoeira do Sul e devem alcançar cerca de 10 mil pessoas afetadas pela tragédia climática de maio de 2024_
A cidade de Cachoeira do Sul, na região central do Estado, recebe a primeira etapa presencial do projeto “Recomeçar RS: cuidando da saúde mental em comunidades impactadas pelas enchentes”, do Hospital Moinhos de Vento. A iniciativa prevê o rastreamento das condições de saúde mental da população afetada pela tragédia climática de 2024, que afetou mais de 2,3 milhões de pessoas, deixando 183 mortos e mais de 650 mil desabrigados.
O projeto é desenvolvido por meio do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do Sistema Único de Saúde (PROADI-SUS), em parceria com o Ministério da Saúde, e pretende alcançar cerca de 10 mil pessoas em diferentes regiões do Rio Grande do Sul. Durante a triagem presencial, serão aplicados questionários para identificar sintomas de ansiedade, depressão e estresse pós-traumático, além da coleta de dados sociodemográficos. Ao final, os participantes receberão uma cartilha com orientações sobre saúde mental. O atendimento será realizado das 13h às 17h, no Salão da Igreja de Navegantes, localizado na Rua José Marcelino de Carvalho, nº 500.
Pessoas com sintomas que preencham os critérios clínicos poderão ser convidadas para as próximas etapas do projeto, que incluem acompanhamento por meio de um programa estruturado de apoio psicológico. A abordagem é baseada no protocolo EP+ (Enfrentando Problemas +), da Organização Mundial da Saúde, com ferramentas práticas para lidar com o estresse, enfrentar problemas do dia a dia e melhorar o bem-estar emocional.
Podem participar pessoas com 16 anos ou mais que tenham sido diretamente impactados pelas enchentes, como quem precisou ir para abrigos ou casas de familiares, enfrentou dificuldades de mobilidade ou sofreu perdas materiais. Para adolescentes entre 16 e 18 anos, é exigida autorização dos responsáveis.
Segundo o psiquiatra do hospital, Christian Kieling, o levantamento é fundamental para orientar políticas públicas. “A tragédia não terminou quando a água baixou. Muitas pessoas seguem enfrentando sofrimento psicológico que nem sempre é visível. Ao realizar esse rastreamento em larga escala, conseguimos dimensionar melhor o impacto psicossocial do desastre e planejar estratégias de cuidado mais efetivas, baseadas em evidências”, afirma.
Ele destaca que o projeto também envolve capacitação de profissionais e produção de dados científicos. “Essas informações podem ajudar a preparar o sistema de saúde para futuras emergências climáticas”, diz.
*Cronograma da ação*
*Data:* 26 de fevereiro
*Local:* Cachoeira do Sul
*8h30:* recepção com autoridades locais
*9h:* visita a abrigo remanescente da cidade para apresentação do projeto e realização de triagens
*Das 13h às 18h:* atendimento à população, com rastreamento e triagem de participantes no Salão Navegantes (Rua José Marcelino de Carvalho, 500)
Foto: Maicon Hinrichsen/Critério