Morre a sepeense, Irmã Nilda, Religiosa da Congregação das Irmãs de Notre Dame

0
398

Faleceu hoje em Canoas, a Irmã NILDA, que era natural de São Sepé e Irmã Religiosa da Congregação das Irmãs de Notre Dame, as mesmas que fundaram o Colégio Madre Júlia.

A nossa redação recebeu uma crônica da escritora Catarina Costa, que também é sepeense, em homenagem a religiosa.

Crônica para Irmã Maria Nilda Rosário Souza- Por Catarina Costa. 

Há pessoas que passam pela vida deixando marcas discretas, quase silenciosas — mas

profundamente permanentes.

Irmã Maria Nilda Rosário Souza foi uma dessas Pessoa, que não precisam de grandes gestos para

Deixar marcas inesquesíveis.

Nascida em São Sepé, no Rio Grande do Sul, carregava consigo a essência de uma terra de raízes

fortes, de gente firme e sensível.

Foi no Colégio Madre Júlia que começou a se revelar aquilo que mais tarde se tornaria sua

missão: cuidar, ensinar, acolher. Ali, no encontro com os alunos, com a educação e com o

cotidiano simples da escola, floresceu sua vocação para a Vida Religiosa — não como uma

escolha distante, mas como um chamado profundamente humano e amoroso.

Como Irmã, foi professora, orientadora, presença constante. Não apenas ensinava conteúdos,

mas acompanhava vidas.

 

Em Taquara, no Colégio Santa Teresinha, nossas histórias se entrelaçaram de forma ainda mais

profunda. Moramos juntas, partilhamos dias, rotinas, silêncios e confidências.

Mais do que colegas, fomos verdadeiramente irmãs — não por obrigação, mas por escolha do

coração.

 

Em 2016, quando veio a Brasília, acompanhada da Irmã Madalena Breier, tivemos a graça de

viver novamente momentos de profunda fraternidade. Foi um reencontro que não apenas

reavivou memórias, mas fortaleceu aquilo que nunca se perdeu: o vínculo sincero de bemquerer.

Irmã Nilda tinha uma forma muito própria de amar: escrevendo. Seus versos eram mais do que

palavras — eram oração, eram gesto, eram entrega. Em 2002, quando parti do Colégio Santa

Teresinha, ela me entregou um desses escritos. Com lágrimas nos olhos, disse: “Aqui está tudo o

que desejo para você, na sua nova vida.”

Ali estava ela inteira e verdadeira.

No dia 26 de março de 2026, Irmã Nilda foi chamada para a Luz Divina. Não como um fim, mas

como um retorno. Uma passagem serena para aquilo que ela sempre viveu: a presença de Deus.

Hoje, ao recordar sua vida, não cabe apenas a saudade. Cabe a gratidão.

Gratidão por tudo o que fez pelos outros.

Gratidão pelo amor à sua Congregação.

Gratidão por cada gesto silencioso de cuidado.

 

E, de forma muito especial, gratidão por mim — por tudo o que foi em minha vida, como colega,

como amiga e como irmã do coração.

Irmã Nilda não partiu. Ela permanece — nos valores que deixou, nas vidas que tocou, nos

caminhos que ajudou a iluminar.

Que a paz e o amor eterno sejam sua grande recompensa.

E que, junto de Deus, continue sendo uma fonte de bênçãos.

 

Com amor e eterna gratidão, Catarina Costa. 26 de março de 2026″ .