47 anos de RONDA: Crônica- Elpídio Santana

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“ Deem rédeas ao progresso que a tradição não tem medo do tempo” De Luiz Meneses no Poema Tropa Amarga”
Posso dizer que fizemos os primeiros turnos nessa ronda crioula. Todos atenderam o nosso chasque e vieram gaúchos do Tupanci, de Jazidas, do Cerrito do Ouro, uns chegaram a pé, outros a cavalo e juntaram-se aos daqui para a grande missão tradicionalista.
Na condução dessa campereada estava de ponteiro João Batista dos Santos que, ao longo do caminho, se revezava com Luiz Itario Almeron. Ninguém se desgarrou. Homens de boa cepa, a maioria, peões de estância que traziam no peito uma faísca do fogo de chão dos galpões de suas querências e com a alma e o coração plantaram fundo sementes que se transformaram na majestosa árvore de fortes raízes o CTG RONDA CRIOULA.
Lembramos bem desse importante movimento em prol do tradicionalismo, dos desafios dessa lida, dos primeiros fandangos num galpão de tábua bruta coberto de santa fé erguido num terreno, à época, de propriedade do senhor Pedro Franceschi.
Os destruidores, agora com câimbras nas línguas ferinas, diziam que era um galpão para bebermos cachaça e dançarmos ao redor do fogo.
Assim não o-foi. O Ronda cresceu, progrediu, cumpriu e cumpre o seu propósito, numa difícil e honrosa tarefa de aprender e ensinar os costumes, a arte e o folclore, qual uma verdadeira escola de tradicionalismo.
O CTG Ronda Crioula sempre foi um lugar para reunião de famílias, onde se pratica o respeito e hospitalidade, onde tomamos chimarrão, onde dançamos, proseamos e honramos nossas raízes e nossa tradição.
Tão importante quanto seus fundadores são os que dão sequência aos seus feitos, a exemplo das invernadas, essa força motriz que faz pulsar o coração do CTG. Não importa se faz frio ou calor, lá estão eles para um tiro de laço ou um sapateado da Dança do Tatu ou do Maçarico no treino para a próxima apresentação.
Merecem o aplauso de todos, não só pelos troféus conquistados, mas, principalmente, por espalhar para o mundo a cultura gaúcha, sua história, suas danças, seu folclore, ao tempo em que cumpre importante papel na formação de prendas e peões, crianças e jovens adultos.
Tenho orgulho de ser fundador desse monumento à cultura e à tradição gaúcha. Hoje escrevo mais esse chasque como o fiz há 47 anos, não mais como um chamamento, mas para prestar minha singela homenagem aos outros fundadores e a patronagem do CTG Ronda Crioula na pessoa da dinâmica Patroa Senhora Maristela dos Santos .
Aos que partiram para outros pagos não terrenos, faço uma prece ao PATRÃO MAIOR pedindo que lhes permita vivenciar essas memorias.
Nossos parabéns pelos 47 anos de tradicionalismo de pura essência