Haaland colocou o Brasil em frente ao espelho- crônica- Sergio da Silva Almeida

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Meu filho, de 19 anos, ainda não viu o Brasil ser campeão do mundo. Isso diz muito sobre o nosso país, que segue remando contra a maré.
Somos um povo que ainda acredita que é “o país do futebol”. E que a “amarelinha” ainda mete medo nos adversários. Que acredita em promessa de picanha e cerveja. Que acredita que um país vai crescer dando o peixe, e não ensinando a pescar. E que acredita que isso resolve mais do que ensinar a pescar. Que acredita que só um treinador de fora, pago a peso de ouro, pode nos entregar um título mundial. Que tem seu melhor jogador — do qual sou fã —, um atleta extremamente talentoso, mas que, diferentemente dos grandes ídolos de outras seleções, não se cuida fora de campo como deveria.
A eliminação dói. E dói porque quem ama o futebol — e seu país — não sofre apenas pela derrota; sofre ao perceber a distância que nos separa da excelência.
Mas, cá entre nós, começamos a Copa sem dar muita bola para ela. E foi preciso um viking norueguês para nos lembrar por que nos apaixonamos pelo futebol. Digo isso com a dor da eliminação, sentimento compartilhado por todo brasileiro. Há muito tempo eu não via um jogador despertar tanta admiração pela forma como joga, compete e se entrega.
Ver Haaland jogar é como olhar para um espelho e encarar a realidade. Porque, ao vê-lo em campo, enxergamos nossas deficiências. Enxergamos a diferença entre viver da história e construir a história. Entre confiar apenas no talento e combinar talento com disciplina e garra. Entre acreditar que o passado garante o futuro e entender que cada conquista precisa ser conquistada novamente.
Talvez seja por isso que sua imagem me provocou tanta reflexão: ela nos mostra não apenas o que ele é, mas aquilo que ainda precisamos voltar a ser.
E, quando esse dia chegar, quem sabe meu filho veja o Brasil campeão do mundo como eu vi.