O pai incentiva, o filho acredita! Sérgio da Silva Almeida- Crônica

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Décadas atrás, frases como “Vai estudar, porque bola não enche barriga” refletiam o receio de muitos pais, que viam a carreira esportiva, principalmente em famílias de origem humilde, como um risco. Com o tempo, esse cenário mudou: a profissionalização do futebol, as categorias de base e o suporte especializado mostraram que é possível apoiar o sonho de um filho sem abrir mão dos estudos.
Um exemplo dessa mudança surgiu no grupo de ex-jogadores do São José. Antonio Marcos Fagundes Pereira, o Marquinhos, que aos 16 anos foi de Cruz Alta para o Caxias em busca do sonho de ser jogador — “Deixei minha casa, sem apoio dos pais, para morar no Estádio Centenário” — compartilhou um vídeo do filho Cauã, de 13 anos, que começou na Escolinha Xavante, do Brasil de Pelotas, aos oito anos, e segue os passos do pai no esporte. Eu fazia parte do elenco do Zequinha em 1993, ano em que ele e Ortunho foram apresentados ao clube, vindos do Juventude. “Quando chegamos em Cachoeira fomos bem recebidos por todos”, relembra.
Atleta do sub-13 do Progresso FC, de Pelotas, referência na formação de talentos, Cauãzinho aparece no vídeo balançando as redes cinco vezes em uma partida da Liga Municipal de Futsal de Rio Grande (LMFR), vestindo a camisa do Reino Animal e sendo o destaque da partida. Ao final, comemorou o feito em entrevista à repórter Carol, da Rádio Mais Ouvida, integrante do Grupo Oceano: “Fiz gol para minha irmã, para minha mãe, para o meu pai…”
A postagem me fez lembrar de 20 de fevereiro de 2005. Eu estava em Rondonópolis (MS), onde faria uma palestra, e, naquela ocasião, acompanhava São José e Grêmio pelo Gauchão. O Grêmio saiu na frente com Somália, de pênalti. O São José, treinado por Laone Luz e escalado com Vandré; Morelli, Darzone, Paulão (Alano); Zé Luiz (Barragana), Cleiton, Marquinhos, Diógenes, Téo; Josiel e Ademir, virou a partida. Josiel empatou de cabeça e, aos 39 minutos do segundo tempo, Marquinhos aproveitou um rebote para estufar as redes com o gol da virada e levar o estádio à loucura.
Em 2005, Marquinhos acreditou e marcou seu lugar na história. Duas décadas depois, ele incentiva Cauãzinho a acreditar também — e uma nova história começa a ser escrita.