A fé começa onde as possibilidades terminam- Sérgio da Silva Almeida. Crônica

Há anos, abri uma loja em Caxias do Sul. Sem experiência no ramo, logo percebi que estava “dando com os burros n’água”. Investi todo meu capital para iniciar o negócio e ainda parcelei alguns itens. Semanas depois, um boleto de cinco dígitos começou a tirar meu sono. A primeira reação seria buscar dinheiro emprestado, mas percebi que isso abriria um poço ainda mais profundo.
No dia do vencimento, faltando apenas três horas para o fechamento dos bancos, resolvi orar, confiando nas palavras de Jesus: “Vinde a mim todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” E, para minha surpresa, meia hora antes do término do expediente bancário, entrou um homem na loja e, em poucos minutos, realizou a maior compra do ano — à vista, exatamente no valor do boleto.
Mas não se engane: não sou alguém de fé inabalável. Estou longe do exemplo de George Müller, nascido em 1805 na Alemanha, que dedicou sua vida a amparar crianças órfãs nas ruas da Inglaterra, em meio a uma realidade de miséria extrema.
Em 1836, ele e sua esposa Mary abriram o primeiro orfanato na cidade inglesa de Bristol, dando início a um projeto que transformaria milhares de vidas. Impressionante: nunca pediu dinheiro a ninguém.
Orava, confiava e, milagrosamente, os recursos chegavam de maneiras inesperadas — donativos anônimos, alimentos deixados na porta, envelopes com dinheiro em momentos críticos. Certa manhã, as crianças estavam à mesa sem nada para comer. Müller agradeceu pelo alimento que ainda não havia chegado.
Minutos depois, um padeiro bateu à porta dizendo que não conseguira dormir e sentira que devia levar pão. Logo em seguida, um leiteiro apareceu: seu carro havia quebrado em frente ao orfanato, e ele ofereceu todo o leite antes que estragasse. O café foi servido — um milagre vivo da confiança e da fé.
Ao longo da vida, Müller cuidou de mais de 10 mil crianças, construiu cinco grandes orfanatos e educou milhares de jovens, repetindo sempre: “A fé começa onde as possibilidades terminam.”





