Adeus, Pipinho! Crônica – Sérgio da Silva Almeida

Eu achava exageradas falas como “Por dias, ouvimos os latidos da Duda dentro de casa”. Ou atitudes como “Após enterrar o Toy, ao chegar em casa, peguei a bolinha e joguei…”. Com o que vivi, posso afirmar: é preciso empatia com quem perde seu amigo de quatro patas, pois a dor que se sente é o reflexo de um amor que não se mede.
Pipo foi presente de 17º aniversário de Sergi (na foto, em um de seus momentos favoritos: andar de carro) e esteve conosco por 14 anos, inclusive em meus livros e colunas de jornais. Em 2021, um jornal gaúcho, na matéria “A era dos pets”, publicou uma foto dele com o texto: “… com destaque para o Pipo, personagem de muitas colunas do cronista Sérgio Almeida”.
No dia 1º, enquanto almoçávamos, ele se aproximou devagar, como se cada passo exigisse esforço. Já enfrentava problemas de coração “grande” — o que dizia muito sobre ele: um pet com um coração maior que o próprio corpo, transbordando amor — e vinha, há dias, com problemas respiratórios. Marta o pegou no colo e, em instantes, ele soltou um som de dor: havia sofrido uma parada cardíaca. Então me chamou, aflita: “Sérgio, o Pipinho está nos deixando!”. Dei um pulo da mesa, corri até ele e o acariciei. E, para nossa surpresa, ele reagiu. E, então, veio a segunda parada. E, mais uma vez, ele reagiu. Logo em seguida, a terceira… e, acredite, voltou novamente. Dizem que o pet, no fim, busca quem ama e, ao olhar, libera ocitocina (hormônio do amor), que gera segurança.
Deitamos “nosso bebezinho”, como Marta o chamava com carinho, sobre a manta que ele amava e, entre lágrimas e soluços, começamos a nos despedir. Ele não desviava os olhos dos meus, como se quisesse levar consigo o meu olhar. Enquanto o acariciávamos, dissemos que ele foi muito amado, que fez parte da família, que podia ir em paz… E, aos poucos, ele foi se entregando, até que seu coração, serenamente, parou de bater. Com a voz embargada, mal consegui balbuciar: “Adeus, Pipinho!”.
No dia seguinte, levantei e, como sempre, coloquei água no bebedouro dele.





