Coloradinho: Bola e Memória- Sérgio da Silva Almeida- Crônica

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Neste sábado, será realizado o 21º Encontro dos Ex-atletas do Internacional de Santa Maria, um verdadeiro reencontro de memórias e craques que marcaram a história do clube. A bola vai rolar no campo do Montese, com dois jogos, às 15h e às 17h. À noite, a confraternização seguirá com muita resenha no Ribas Esportes/Sport Show, onde os causos continuarão a rolar soltos fora das quatro linhas.

 

Nomes consagrados estão confirmados, como Schittler, Paulo Coxa, Maneco, Renato, Jesus Corrêa, Marcus Vaz, Nequinho, Paulo Sérgio e Lorenzo, Rogério, Joércio, Renato Teixeira, Da Silva, João Carlos Cabrera, Vilmar Sapinho, Tigre, Milton, Renatinho, Robson, Peninha, Calixa, Osvaldo, Omar, Antonio, Gerson, Serginho, Banana, Perivaldo, Jara, Sandro Gomes, Muller, Aroldo, Edgar, Sandro Corrêa, Favarin, Saccol, Leonel, Adair e Léo — que reencontrarão amigos, reviverão histórias e manterão viva a paixão pelo Coloradinho.

 

No ano passado, estive no encontro e poucos compreenderam a emoção que vivi ao marcar dois gols na Baixada. A razão vem de longe: em 1986, eu atuava nos juniores e era reserva do centroavante João de Deus, ídolo do time. Na última rodada do Gauchão, contra o Aimoré, fui escalado, já que João foi poupado por ter jogo com o profissional no dia seguinte. Foi minha primeira partida oficial na temporada, depois de só jogar amistosos. Cheguei a fazer uma foto antes do início do jogo (foto). Aos 20 minutos, recebi um lançamento e, frente a frente com o goleiro, desperdicei o gol da minha vida. Ainda ecoa na memória o “uhhh” da torcida — um lamento coletivo, cheio de frustração e decepção, vindo das arquibancadas — quando a bola subiu e se perdeu por cima da meta. Pouco depois, fui substituído, vencido pelo nervosismo. O jogo terminou 1 a 0, com gol de André Carpes, e fomos eliminados da competição.

Na saída do campo, o repórter da Rádio Imembuí colocou o microfone à minha frente, e tudo o que consegui dizer foi: “Hoje não é meu dia”. Corri para o vestiário e, logo em seguida, para a rodoviária, e peguei o primeiro ônibus para a casa dos meus pais, em Cachoeira do Sul, e, ao entrar, deparei-me com a tristeza no olhar da minha mãe, que havia gravado o jogo em uma fita K7. Ao ouvir a narração do gol perdido, chorando, pisoteei a fita até deixá-la em pedaços.

 

Agora você entende por que o encontro do ano passado foi, para mim, mais que um simples encontro — uma verdadeira cura emocional? Revi ídolos da minha adolescência e marquei dois gols no mesmo gramado onde, 38 anos antes, vivi a maior frustração da minha carreira, encerrada sete anos depois no GE São José, onde fui o primeiro centroavante da história do clube.