Didática no banco da praça- Maurício Rosa

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Fábio, um jovem de apenas vinte anos, estava sentado no banco da praça. Ele havia feito uma entrevista de emprego, mas foi dispensado, pois não tinha, segundo a empresa, estudo suficiente. Ali, amuado, lembrou das palavras da mãe: “estuda, filho, não precisa sair todo final de semana, não deixe pra estudar para a prova um dia antes, um dia isso pode fazer falta”.

Ao seu lado, minutos depois, sentou seu Adílio, um bancário negro aposentado que, ao observar o jovem, questionou: o que aconteceu meu amigo?

– Não consigo arrumar emprego.

– Por quê?

– Olha o tamanho do meu currículo, não dá uma página.

– Não se aflige com isso.

– Eu devia ter escutado a minha mãe.

– Bom, isso é verdade – disse Adílio. Mas você é jovem, retome de onde parou, nunca é tarde pra fazer o que é certo. Vocês jovens criam essa ideia de que precisam ser adultos assim que atingem maioridade. Compram carros, belas roupas, calçados, arrumam um relacionamento, geralmente, sem preparação e está tudo certo. Pelo menos é o que vocês acham.

– Era exatamente isso que eu pensava.

– E não se culpe por isso.

– Mas é muita disciplina. Minha cabeça não suporta tanta informação.

– Suporta sim, a questão é organização. Deixa eu contar pra você uma coisa que meu pai dizia muito: o Português é complicado mesmo, se você coloca um acento no coco, já começa tudo a cheirar ruim. Se você tirar as calças fica nu, se calçar os sapatos cobre os pés. A palavra sofá tem acento e tem como sinônimo assento.

Na Matemática, você faz uma conta de quarenta linhas pra descobrir que “x” quase sempre é igual a zero. Produto notável é na verdade um festa numeral, primeiro vezes o segundo, segundo com primeiro e vai… A Geografia mostra que o mundo é muito maior que o teu quarto. A História contada hoje, muda amanhã e com muita tristeza, porque tudo que o ser humano conquistou, custou a morte de alguém. A Literatura é a estrela do norte, ou seja, pode ser vista de qualquer lugar do mundo.

Não existe vida sem livros. Na literatura, o “Machado” só corta a lenha pra aquecer o fogo do conhecimento, você se sente “Amado” e ama Clarice, Lygia, Agatha e J.K Howling. Na química, você descobre os componentes dos elementos que consome e até dos remédios que curam sua dor. Além de influenciar uma ótima série de TV.

A língua estrangeira mostra que as letras são quase universais e que a palavra ” Sugar,” invertida vira “rugas” e Jesus é Jesus, não no mundo todo, claro. No Espanhol trocamos “O” por “El” sendo que a segunda palavra significa anjo. Por isso que não faz sentido algum o apelido do Suárez do Grêmio. E a Biologia que faz você se ver por dentro e saber que o mínimo detalhe que falhe no aparelho humano, pode causar danos irreparáveis.

E a Física que nos mantém em pé sem derrapar, faz a noite virar dia, explica acidentes de carro e explica o porquê dos pregos terem ponta e criam lendas bobas sobre viagem no tempo acreditando que ante era melhor. Na verdade, todas as épocas da humanidade foram terríveis em certos aspectos, somos nós que não queremos enxergar. Não vivemos tanta coisa diferente do que já aconteceu.

– E a Educação Física? Perguntou Fábio.

– É excencial também, ensina disciplina, trabalho em grupo e mostra que ser humano não é só cérebro. Exercícios físicos são ótimos pra ansiedade, perda de peso e estímulo cerebral. O profissional de Educação Física tem uma responsabilidade muito grande em estimular os alunos a terem um corpo saudável para que o cerebro trabalhe melhor.

– Acho que o senhor me convenceu a terminar os estudos.

– Que bom, boa sorte. Agora preciso ir o mercado, acabou meu açúcar, ainda não tomei café da manhã.

Algum anos depois, seu Adílio precisou ir ao banco para tratar sobre um erro cometido em sua conta. Pediu para falar com o gerente.

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