Dividindo as cargas da vida- Crônica- Sérgio da Silva Almeida

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No início da semana, recebi uma mensagem via WhatsApp de Gerson Barbosa, o “Mosa”, cachoeirense conhecido no meio esportivo gaúcho — com quem iniciei minha trajetória no juvenil do Cachoeira FC, em 1981 — me enviando uma vaquinha criada pela família para ajudar no tratamento de seu neto, Lorenzo Barbosa da Silva, de 15 anos, que vive em Charqueadas.
Lorenzo sofreu um grave acidente de bicicleta, que resultou em um AVC, levando-o a uma cirurgia de emergência (craniotomia). Como consequência, perdeu os movimentos do lado esquerdo do corpo e hoje depende de cuidados constantes e fisioterapia intensiva para reconstruir sua autonomia e qualidade de vida. Qualquer contribuição faz diferença. Pix: 6088974@vakinha.com.br
A mãe, Elvira, me disse ontem que o garoto está abatido e, em poucas palavras, traduziu com sensibilidade a intensidade do momento que a família atravessa: “Não tem sido fácil, mas Deus tem levantado anjos que têm nos ajudado a vencer esse tempo.”
No nosso país, quando a doença atinge famílias mais simples, a falta de apoio do poder público torna tudo ainda mais difícil. Felizmente, a solidariedade entre as pessoas, por meio de campanhas e gestos de compaixão, acaba sustentando quem precisa. Isso revela uma realidade sensível: quando o suporte institucional não chega, é a empatia da sociedade que tenta suprir o que falta. Em situações assim, percebemos o quanto somos interligados e como a solidariedade sustenta os recomeços.
A Bíblia nos orienta: “Levai as cargas uns dos outros e assim cumprireis a lei de Cristo”. Carregar o peso do outro não significa resolver a vida de alguém, mas estar presente quando o chão parece faltar. É estender a mão quando o caminho fica pesado demais para ser percorrido sozinho. Quando dividimos as cargas da vida — dores, incertezas e desafios — elas se tornam mais leves. Nesse movimento de cuidado mútuo, a vida ganha mais sentido, humanidade e esperança.