Edi, cem anos de história- Sérgio da Silva Almeida- Crônica

Viver cem anos é como escrever um livro com cem capítulos de vida — e em cada página, guardar memórias que o tempo não apaga. No último dia 4, esse livro ganhou um novo capítulo especial em Cachoeira do Sul, com a entrada de Edi Rodrigues da Silva no seleto Clube dos Centenários. Vizinha de muro da minha sogra, Maria Geni, Edi é uma presença querida, marcada por laços tecidos com afeto, cuidado e constância — uma vida inteira construída com simplicidade, firmeza e amor.
Edi viveu por muitos anos no interior do município, antes de se mudar para a cidade e se aposentar como telefonista da antiga CRT (Companhia Riograndense de Telecomunicações) — uma função que exigia paciência, atenção e escuta generosa, qualidades que sempre teve de sobra.
Foi casada com Valdomiro Costa, o conhecido “Seu Costa” do bairro. E embora não tenha tido filhos biológicos, sempre exerceu um papel profundamente maternal com aqueles ao seu redor. Um exemplo vivo disso é minha esposa, Marta, a quem Edi chama carinhosamente de filhota. A caçula de quatro irmãs também a chama de mamãe, em homenagem à mulher que tantas noites a acolheu em sua casa, ainda menina, apenas para lhe fazer companhia. “A primeira Bíblia que ganhei foi ela quem me deu”, lembra Marta com gratidão.
E prepare-se para essa: Edi nunca foi vista tomando remédio. Além disso, há anos mantém o hábito de ler a Bíblia de capa a capa — pelo menos uma vez por ano. Um feito que revela sua disciplina espiritual, sua força interior e a serenidade que brilha em seu olhar.
Para celebrar esse marco centenário, a família organizou uma festa daquelas que aquecem o coração. Foram 63 familiares presentes, todos reunidos para abraçá-la e homenageá-la.
O ponto alto da festa? A cena emocionante de Edi batendo palmas e cantando os parabéns para si mesma, antes de soprar a velinha do bolo. Um gesto simples, mas que traduz tudo: ela chegou aos 100 anos com vitalidade, lucidez e fé. “Ela está melhor do que nós, exceto pela coluna e a audição”, brinca, entre risos, a prima-irmã Núbia.





