Entre bombachas, o jeans solitário- Crônica- Sérgio da Silva Almeida

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Uma versão encontrada na internet relaciona a presença da bombacha por estas bandas às Guerras da Crimeia (1853–1856) e do Paraguai (1864–1870). Durante a Crimeia, os britânicos produziram grandes quantidades da peça para os turcos e, ao fim da guerra, os excedentes foram comercializados com as tropas da Tríplice Aliança, formada por Brasil, Argentina e Uruguai.
No começo, era um traje de peão, pela praticidade e liberdade de movimento. Porém, foi no século XX que “o Movimento Tradicionalista Gaúcho (MTG) firmou a bombacha como parte da indumentária gaúcha, consolidando-a como um dos símbolos da identidade cultural do estado”.
Em 1989, a Lei Estadual da Pilcha (nº 8.813) oficializou a Pilcha Gaúcha como traje de honra.
Em Esteio, conheci Maicon Severo da Rosa, integrante do Piquete Galpão de Estância, sabe bem o que representa vestir uma bombacha: “É carregar consigo a história, as raízes e os valores aprendidos desde a infância”.
Natural de Rosário do Sul, Maicon aprendeu desde guri, com os pais e os tios, o jeito de viver da campanha e o amor pela tradição.
Foi assim que tomou gosto pelas tradições gaúchas, que hoje transmite ao filho, Thalles, de 10 anos: “Ele gosta é de uma lida no campo, de estar junto dos bichos”.
Aos 41 anos, “Maicon das Bombachas”, como é conhecido, faz jus ao apelido, pois suas bombachas não esperam a Semana Farroupilha para ganhar a rua: são sua principal vestimenta. Por onde anda, está sempre pilchado.
No guarda-roupa, a conta é de respeito: são 40 bombachas e apenas uma calça jeans. “Para mim, tradição é mais do que vestir uma peça: é receber dos antepassados uma história e escolher mantê-la viva todos os dias”, explica.
A esposa, Milene Nunes, acompanha de perto essa paixão: “Ele tem modelos para momentos especiais e outros para a rotina; acho muito bonito e nem imagino mais meu marido vestido de outro jeito”. Quando o assunto é a calça jeans, ela dá risada: “Bah, faz anos que não tira do guarda-roupa”.