Uma crônica para ler debaixo para cima: Maurício Rosa

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“Eu achava que estava imune, mas não.

Essa inversão é uma verdadeira confusão”.

Agora, 0,5 de soneto:

Possa eu dizer alguma coisa.

Por isso falei da morte aqui em cima. Para garantir de que antes de morrer

Tenho medo de morrer. Sim. Sou medroso.

Pena que para morrer não há ordem, começando sempre pela base.

Começo por baixo porque sou debaixo. Evoluo conforme a cronologia imposta.

Por isso coloco-me no meu lugar. Respeitando a hierarquia das palavras.

Começar por cima?

E agora, até meu texto me deixa a dúvida: será que mereço ter o privilégio de

Rezo, danço e tomo banho plantando bananeira.

Eu deito na cama com a cabeça no lugar dos pés.

Também vou fazer minha parte. Porque tudo isso está me deixando confuso.

Uma inversão de valores. O politicamente correto.

mesma intensidade que duvidamos.

dolorosa inversão se apossou de nosso mundo. Hoje descobrimos tudo na

 planetas e até as doenças. Mas à medida que a sociedade evoluiu, uma

iluminar as cabeças. Cabeças que pensavam em evolução, que descobriram

A água era abundante, o Sol não tinha raios tão veementes. Ele gostava de

tinha nascido numa manjedoura.

Esbanjava brilho nos olhos. Era fúlgido por si só. Parecia que todo mundo

Antigamente, com menos recursos, o povo era mais saudável. Mais forte .

Essa tal Inversão.