Meus problemas são maiores que os seus – Crônica- Sérgio da Silva Almeida

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Faço pilates semanalmente, um momento para cuidar do corpo e desacelerar a mente. Em um mundo marcado pela tensão e pela rotina acelerada, dedicar tempo para alongar, fortalecer e alinhar o corpo é um investimento em saúde, bem-estar e qualidade de vida.

Um dia desses, cheguei antes do horário e fiquei aguardando a fisioterapeuta em frente à clínica. Enquanto esperava, notei um senhor sentado em uma cadeira em frente à sua residência e puxei conversa. Perguntei quantos filhos ele tinha. Ele respondeu, com voz calma, mas carregada de dor: “Tinha quatro, agora só tenho uma. Meus três filhos morreram na pandemia.” Fiquei sem palavras. Só consegui balbuciar: “Sinto muito, senhor.”

Naquele instante, meus problemas, que até então pareciam enormes, pareceram insignificantes — é curioso como nossa percepção muda quando vemos a dor do outro. Ao me retirar, o senhor permanecia a embalar-se na cadeira de balanço, enquanto eu, ainda imerso em reflexões, compreendia que os desafios que nos afligem assumem proporções maiores justamente por nos pertencerem. Como bem pontuou Benjamin Franklin: “Viver é enfrentar um problema atrás do outro. O modo como você o encara é que faz a diferença.”

Anos atrás, ao sair do carro, peguei o bebê-conforto com o José, que sorriu para mim com aquele olharzinho de: “Papai, confio em você!”. Porém, ao dar dois passos, o bebê-conforto emborcou, e meu filho, com apenas cinco meses, caiu como um bebê reborn, com o rosto no concreto gelado. Corremos para o plantão. Levaram-no para a urgência, e a Marta foi junto. Fiquei no saguão, apreensivo. Notei uma senhora sentada e perguntei o que tinha acontecido. Ela me respondeu: “Meu marido carregava nosso filho no pescoço quando ele caiu de costas e sofreu traumatismo craniano.” Fiquei sem palavras e apenas balbuciei: “Meus sentimentos, senhora!”

Ao final, fica um lembrete simples, mas profundo: sabe por que meus problemas parecem maiores que os seus? Porque são meus. Só isso!