Não falta lixeira, falta respeito- Crônica de Francisco Melgareco

Quem joga lixo no chão não suja apenas a cidade, mas também a própria consciência. Aliás, o que esperar de quem não é capaz de recolher o próprio lixo?
Trata-se de um problema que vem de muitos anos em nossa cidade. Imagino que não seja exclusivo daqui, mas, por aqui, isso acontece há muito tempo. Antes, quando o movimento era na praça, depois em outros locais e agora, especialmente, na Avenida Presidente Vargas, na proximidade dos bares e lancherias.
Não é falta de estrutura. As lixeiras estão ali.
O que falta é educação.
E mesmo quando não há uma lixeira por perto, é realmente tão difícil recolher o próprio lixo antes de ir embora? Colocar em uma sacola, levar para casa e descartar corretamente? Perguntar no estabelecimento onde se comprou a bebida se há um local para jogar as embalagens?
O problema não se limita ao lixo. Há pessoas que urinam na rua, por vezes em frente a residências. Soma-se a isso a perturbação do sossego, discussões e até brigas. É verdade que nossa cidade oferece poucas opções de entretenimento e espaços de lazer, mas nada disso justifica a falta de respeito com o próximo e com o meio ambiente.
Seria muito fácil apontar o dedo e culpar apenas a geração mais nova. Mas a reflexão é maior: e a educação que vem de casa, está acontecendo? Ensinar desde cedo que o espaço público também é responsabilidade pessoal é deixar claro o papel de cidadão que cada um de nós precisa assumir.
Costumamos ouvir ou dizer frases como:
“Fui a tal cidade, a tal estado… que lugar limpo, não se vê um papel no chão.”
Mas será mesmo a cidade? Ou é a cultura das pessoas que vivem nela?
Cidades não são limpas por acaso. Elas são limpas porque as pessoas não jogam lixo no chão. Porque existe um entendimento coletivo de que o espaço público não é terra de ninguém. É nosso.
Vale lembrar que alguém sempre acaba pagando a conta. Muitos estabelecimentos comerciais são prejudicados pela falta de educação e de noção de quem frequenta o local. No dia seguinte, acabam obrigados a recolher o lixo acumulado em frente aos próprios negócios. Um esforço que não deveria ser deles. Uma demonstração clara de desrespeito com quem trabalha, paga impostos e tenta manter o espaço minimamente digno.
No fundo, o lixo é só o começo da conversa. Uma sociedade que não recolhe o que suja, que não respeita o espaço do outro, que transfere responsabilidade e normaliza o descaso, dificilmente estará preparada para desafios maiores.
Porque se não conseguimos nem cuidar do chão onde pisamos,
que tipo de futuro estamos, de fato, construindo?






