Os danos dos sentimentos silenciados- Crônica-Joice Figueiredo

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As palavras não ditas ou os sentimentos não expressados com o tempo se tornam sentimentos reprimidos, medos excessivos, receio de receber críticas ou de simplesmente ser contrariado. A desventura desses sentimentos vem abarrotado de dúvidas de falar ou não, arrependimento de ter falado ou de muitas vezes nem ter falado nada.

O que escolhemos não dispor para fora, destroi por dentro. Maltrata nossa essência, pureza e bondade apenas para caber dentro uma caixa que não é do nosso número. Há sentimentos que vivem anos entalados na garganta, vivendo como se fossem um suspiro, onde o ar não consegue sair. Desde cedo, ainda quando criança somos ensinados a engolir o choro, segurar a raiva ou ao “Não foi nada”, quando na verdade houve algo, doeu e deixou cicatriz.

 

O problema é que aquelas dores interiores se enraízam e com o decorrer da vida eles acabam encontrando outras formas de se manifestarem, seja em crises de ansiedade, tristeza, fobia social e uma busca incessante de ser perfeita, não dando frestas para nem uma falha. Escolhemos por nos silenciar, por medo de machucar alguém que amamos, não pensando no desrespeito que causamos a nós mesmos.

 

Nos tornamos refém do silêncio, pensando na possibilidade de sermos mal interpretados, a não falar porque estaremos sempre errados. Aquilo que não é dito se torna peso no corpo e até uma angústia difícil de explicar. O que não é proferido machuca, e se não resolvido nos algema de conseguirmos nos conectar com o que está ao nosso redor.

Reconhecer o que sentimos e escolher nos dar voz é preciso. Que podemos sim impor limites em relações que nos suprimam. Que podemos quebrar o silêncio quando o limite é extrapolado, que não vai ser sinônimo de pisar em alguém.

Os sentimentos silenciados deixa de ser peso quando são transformados em coragem de falar e de ouvir tudo que vir como consequência.