OS INVISÍVEIS DO 13 DE MAIO- José Elpidio Santana

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Disse um laureado jornalista em recente comentário e coluna na Revista Oeste ( dia10 de maio) como a seguir escrevo, em parte: ” O Rio Grande do Sul tem uma população resiliente, que esta catástrofe abate, mas não derrota, ninguém desiste, os embates forjaram o gaúcho, essa enchente é mais um desafio a ser enfrentado, ninguém no Rio Grande é escravo do clima, do Governo ou de quem quer que seja , liberdade e iniciativa entraram na medula gerada pelos mais variados entreveros nos últimos séculos, misturando sangue de charruas, minuanos, guaranís, espanhois, portugueses. Depois,os alemães, italianos , sirios libaneses e forjaram uma têmpera de lâmina de aço e cabo de prata. Um povo que canta seu hino como um lema.Um hino que ensina que para ser livre não basta ser forte.É preciso ter virtude.”

Belas palavras que exaltam as qualidades e encorajam o povo riograndense nessses dias de dor e sofrimento de milhares de gaúchos atingidos pelas enchentes. Sofrem da mesma dor o gaúcho descendente de africanos que, também, nos últimos séculos, ajudou a construir o Brasil e o Rio Grande com seu braço forte, com seu sangue, suor e lágrimas. Escravizados porque não tinham o poder e a força dos escravizadores.

Nesse 13 de maio, para que não passe em branco,vale lembrar que o negro foi guerreiro, lanceiro bravo e forte, sem garruchas ou lâminas de aço, mas com lanças e coragem indômita lutaram na vanguarda em campos de batalha na defesa dos interesses dos Farrapos e, principalmente, pela prometida liberdade.

O africano foi domador, tropeiro, peão de estância, plantou, colheu e charqueou o gado, atividade base da economia à época. Sabe disso o Jornalista Alexandre Garcia, gaúcho natural de Cachoeira do Sul, do qual assisto os comentários pela TV no YOUTUBE. Com certeza não omitiu, de propósito, os feitos do povo africano na construção da referida têmpera e forja da lâmina de aço com cabo de prata. Cremos ter sido tão só um lapso de memória.

Reinvindicamos o direito a esse espaço, embora com consciência de que não é hora de picuinhas. Senão, pouco importa o esquecimento ou ingratidão de alguns descendentes de escravocratas, pois, os negros estaremos juntos, não mais na condição de escravos, livres e com dignidade nessa aurora precursora de recuperação e melhores dias para todas as etinias que formam o POVO GAÚCHO.

José Elpído Santana