Para Cima ou Para Baixo? O Elevador das Decisões- Sérgio da Silva Almeida- Crônica

Dia desses, entrei com meu filho José no elevador e, distraído, ele apertou o botão “S1” — que nos levaria para baixo. Chamei sua atenção com leveza, apontando que o certo era o “6” — o andar para cima. Rimos da situação. Mas, enquanto o elevador descia e depois subia, vi ali uma boa oportunidade para conversar com ele sobre escolhas e referências.
— Filho, nossas referências são como botões de elevador: podem nos levar para cima ou para baixo. As pessoas que escolhemos admirar e seguir moldam o nosso caminho. Algumas nos inspiram a buscar o melhor que há em nós; outras, infelizmente, nos afastam do nosso propósito. Quem anda com você, te leva para onde?
Essa é uma pergunta que precisa ecoar em cada escolha, em cada amizade, em cada passo da nossa vida.
Dias depois, uma lembrança no Facebook me levou de volta ao início dos anos 1980. A imagem mostrava o selecionado de Cachoeira do Sul, que empatou em 0 a 0 com a SER Caxias — equipe profissional que havia contratado o centroavante cachoeirense Teco Tatsch, revelado pelo clube amador Ferreira.
O amistoso, realizado no Estádio Joaquim Vidal, foi uma homenagem ao Teco. De um lado, a garra de um time amador; do outro, a estrutura e o peso de uma equipe profissional.
Esse foi o primeiro jogo que assisti no estádio ao lado de meu pai. A bola não balançou as redes, mas aquele domingo cravou em mim um sonho: o de, um dia, seguir os passos daqueles que estavam em campo.
Anos depois, em 1988, realizei esse sonho. Estreei pelo Ferreira no Estádio Baixada dos Campeões, em Agudo, contra o Avenida. Vencemos por 2 a 1 — com gols meu e do Teco. Durante aquela temporada, tive a honra de ser vice-campeão amador da cidade. Perdemos a final por 1 a 0 para o Cachoeira FC, mas eu já havia vencido algo maior: o privilégio de estar ao lado dos mesmos atletas que, quando eu era apenas um guri, me fizeram sonhar.
Hoje entendo que, naquela tarde ensolarada, apertei o botão certo. O botão que me levaria para cima. E comecei a subir, andar por andar, rumo ao meu sonho.





