Quando a confiança se quebra- Joice Figueiredo- Crônica

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A confiança depois que quebrada é o mesmo que um vidro colado, nunca mais volta ao formato original. A confiança quebrada vem muitas vezes de quem menos esperamos, daquele parente próximo que você adorava ter por perto. Às vezes ela nasce até de uma palavra que você falou apenas para se defender de certas atitudes de algumas pessoas que pensam ter o poder de nos tomar conta.
A confiança quebrada deixa rastros, que se manifestam em coisas simples do dia a dia, como o que antes era um momento espontâneo de risadas e afetos, agora passa a ser silêncio. É como se algo muito forte se partisse dentro de nós. Como se aqueles anos de amizade, respeito, companheirismo, lealdade construídos fossem colocados no lixo.
Quando ela se rompe, é como se uma colcha de retalhos tivesse sido rasgada e que caberá somente ao tempo costurá-la de volta, mas que jamais voltará com os mesmos acabamentos. E quando ela se desintegra, qualquer impacto ou falha parece ser mais dolorida. Ela acaba reconstruindo um novo formato, mas jamais o mesmo como antes.
Quando a confiança se vai a gente passa a medir palavras, gestos e até o carinho que ainda tínhamos por certas pessoas. O que antes era feito de forma natural a alguém se torna meramente controlado. Até o olhar, o abraço, a brincadeira já não encaixa do mesmo jeito do que lá no início.
Ela quando deteriorada nos ensina a reconhecer quem somos quando deixamos de acreditar no outro, nos ensina a ter voz ativa, a colocar barreiras limitantes diante de aproveitadores. Nos obriga a sermos seres humanos fortes, capazes de amadurecer na dor e que nem sempre algumas verdades irão chegar da forma mais bonita.