Um pouco da História do Rio Grande – parte I: Elaine dos Santos Professora.

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Formigueiro, São Sepé, Cachoeira, Rio Pardo eis a ordem cronológica em que se situa, por exemplo, a Terra das carretas ou dos Carreteiros, o vizinho município de Formigueiro, emancipado em 1963.

Semanas atrás, fui a São Sepé para visitar parentes e gosto dessa “imagem” de Formigueiro e das Tunas mediando as relações geográficas entre São Sepé e Restinga Seca. Claro que não estou menosprezando a importância de Formigueiro, nem dos carnavais, nem da farinha de mandioca, nem das festas da matriz, nem da cordialidade do seu povo, nem da riqueza da sua terra (fofa!).

O Brasil foi encontrado pelos portugueses em 1500, mas foi praticamente abandonado até 1530. Em 1534, as expedições demarcatórias de Martim Afonso de Sousa e seu irmão Pero Lopes de Sousa vieram até o litoral sul. A Nau comandada por Martim Afonso de Sousa naufragou e ele e os demais tripulantes aguardaram em terra o retorno de Pero Lopes, que seguira até o Rio da Prata.

Nesse período, provavelmente, tenham feito observações astronômicas e algumas avaliações do litoral. O dado certo é que, naquela data (1534), o cartógrafo português Gaspar de Viegas registrou a denominação Rio de São Pedro para o que, segundo hipótese de historiadores, seria a Barra do Rio Grande. Segundo Guilhermino Cesar (1970), o Rio Grande do Sul nascia para a cartografia, mas não atraiu povoação que o individuasse. Eram os tempos do Tratado de Tordesilhas (1494), ainda vigente.

No início do século seguinte, jesuítas portugueses incursionaram pelo litoral gaúcho, chegando às proximidades da atual cidade de Porto Alegre, mantendo contato, conforme Guilhermino Cesar (1970) com Minuanos e Carijós. De alguma maneira, haviam preparado o território para a chegada dos missionários jesuítas de origem espanhola que fundariam várias reduções. Ainda assim, é preciso referir que jesuítas adentraram o Vale do Caí, do Jacuí e do Rio Pardinho (CESAR, 1970), mas foram rechaçados por bandeirantes.

O gado criado nas reduções jesuíticas lançaria a motivação para que se “descesse” até o Rio Grande, usando as velhas trilhas indígenas que conectavam os atuais estados de São Paulo, Paraná e Santa Catarina. Os animais foram soltos com a destruição das reduções, reproduziram-se livremente e despertaram a cobiça de comerciantes de Sorocaba (São Paulo), que realizavam grandes feiras de venda de produtos para as Minas Gerais – tropeiros levavam gado para o feitio do charque e mulas, que seriam usadas no transporte feitos nas minas.

Para quem leu o primeiro volume do romance “O tempo e o vento”, de Erico Verissimo, denominado “O continente I”, essa ocupação do Rio Grande do Sul marcada pela vinda dos tropeiros é bastante emblemática no encontro da mãe de Pedro Missioneiro, no nascimento do menino e na morte dela, assim como nas reflexões tecidas pelos indígenas e jesuítas que a encontram em trabalho de parto, abandonada à beira do caminho. Indígenas e jesuítas que já habitavam os Sete Povos das Missões, terra que viu nascer Sepé. Mas isso é história para outro dia.